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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Arqueólogas acham ossada de criança de 3.500 anos no Piauí

Arqueólogas Adriana e Tânia fazem parte da equipe
que achou doze sepulturas (Foto: Pedro Santiado/GP1)
Com 129 mil hectares, o Parque Nacional da Serra da Capivara no Piauí reúne a maior quantidade de sítios pré-históricos do continente americano e o maior número de pinturas rupestres do mundo. Recentemente, pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) encontraram um cemitério com 12 ossadas humanas com cerca de 3.500 anos em um dos cerca de 800 sítios arqueológicos do Parque, distante 540 quilômetros de Teresina. Os corpos foram enterrados em urnas funerárias e sepulturas simples, sendo que a maioria das ossadas pertence a crianças, segundo a arqueóloga Tânia Santana.

O início da descoberta se deu em março de 2013 quando um grupo de arqueólogos estava preparando mais 10 sítios para visitação, quando se depararam com indícios da primeira ossada, a de um menino que tinha aproximadamente um ano quando foi enterrado.

"Deixamos a Toca do Gongo 3 (local onde foi achado o cemitério) por último já imaginando que lá encontraríamos algo mais interessante, visto que o trabalho realizado na década de 1970 na Gongo 1 já tinha histórico de enterrados. Primeiro encontramos o esqueleto de uma criança e depois mais quatro ossadas. Fizemos uma escavação em laboratório e agora estamos com os restos desse menino. Terminado ele, ainda temos mais seis para escavar", relatou Tânia Santana.

Criança de menos de um ano foi a primeira ossada a ser encontrada (Foto: Pedro Santiago/G1)
As outras seis ossadas estão em urnas funerárias e serão trabalhadas em laboratório. A expectativa é encontrar mais enterramentos na Gongo 3. "Encontramos 12 sepulturas em uma área de 11 metros de cumprimento por quatro metros de largura. Ainda temos 39 metros para serem explorados e acredito que vamos achar mais. Paramos a escavação lá por enquanto, pois já temos muita coisa para trabalhar em laboratório", afirmou a arqueóloga dizendo ainda que o trabalho em laboratório deve durar pelo menos mais seis meses.

A descoberta desse cemitério gera repercussão, pois são poucos os registros de sepulturas na Serra da Capivara. Com o novo material coletado, os pesquisadores poderão realizar trabalhos comparativos com dados colhidos em outros sítios arqueológicos e assim descobrir se aquele grupo enterrado é o mesmo que viveu em outras regiões do parque.

"Poderemos saber a cultura deles, o que eles produziam e ferramentas que usavam. Vamos entender também suas práticas funerárias porque uns usavam urnas e outros não. Além disso, vamos comparar os dados com outros grupos e saber quanto tempo essa prática (rito fúnebre) perdurou", explicou a arqueóloga Adriana Almeida.

Além das ossadas, foram encontrados vários materiais líticos, rochas e minerais que podem ter sido usados de diversas maneiras, que foram coletados e catalogados no laboratório da Fumdham.

"Fazemos um estudo prévio no qual catalogamos as características do material e colocamos todas as informações em um banco de dados. Depois os especialistas irão definir do que se tratam as rochas encontradas. Os objetos no Gongo 3 são variados e podem ser de machadinhas, pedras para raspar, cortar, bater etc", conta Annelise Silva Neves, coordenadora do Laboratório de materiais líticos da fundação.

Mais antigos habitantes

O Parque Nacional da Serra da Capivara está em uma área espalhada pelos municípios de Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e, principalmente, São Raimundo Nonato. Estudos realizados desde a década de 1970 confirmaram que a presença do homem na Serra da Capivara data de 50 mil anos, os mais antigos registros descobertos na América até o momento.

Sua utilidade podia ser das mais diversas, tais como machadinhos, pontas de lança, moedores de alimento, lascas para corte de carne, couro etc. O material servia até para confecção de símbolos.

Pedro Santiago/ Do G1 PI, em São Raimundo Nonato - 28/03/2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Lideranças indígenas pedem demarcação de terras ao Governo

Durante visita ao município de Piripiri em 22/01/2013, o governador Wilson Martins recebeu das mãos de lideranças indígenas da região, uma carta com inúmeras reivindicações do povo Tabajara e da Associação de Remanescentes Indígenas de Piripiri. A entrega do documento aconteceu durante a solenidade de reinauguração do Memorial Expedito Resende.


Dentre as muitas reivindicações, os indígenas solicitam reconhecimento de sua existência como índios e a implementação de políticas públicas de assistência aos índios no Piauí. “Tabajara, como diziam nossos antepassados, significa ‘O dono da casa’, mas hoje no Piauí nós não temos casa para ser dono. Ao contrário, fomos criminalizados, perseguidos, acuados e dispersados. Ainda hoje sofremos com tais violências, às vezes, veladas, mas que estão presentes em nosso cotidiano, quando não temos nosso lugar para plantar, para ensinar nossos filhos e netos como viviam nossos ancestrais”, diz a carta. 


A Associação de Remanescentes Indígenas do Piauí calcula que existam na região 53 famílias indígenas e pelo menos outras 100 famílias a serem cadastradas. Na carta entregue ao governador, eles também solicitam apoio para a demarcação da terra indígena Tabajara de Piripiri, instalação de uma Unidade Básica de Saúde na cidade, construção e manutenção de uma escola indígena, dentre outras demandas 

Reportagem: Karliete Nunes - Jornal O DIA